CNPJs emitidos por ano, sem os de candidato eleitoral1970: 61,1K?: 74,9K?: 80,1K?: 105K?: 108K?: 122K?: 155K?: 271K?: 245K?: 262K1980: 278K?: 274K?: 288K?: 320K?: 308K?: 377K?: 588K?: 505K?: 464K?: 528K1990: 598K?: 597K?: 513K?: 566K?: 582K?: 579K?: 581K?: 627K?: 546K?: 585K2000: 566K?: 571K?: 534K?: 545K?: 584K?: 557K?: 689K?: 664K?: 747K?: 791K2010: 1,4M?: 1,6M?: 1,8M?: 1,9M?: 1,9M?: 2M?: 2,1M?: 2,3M?: 2,6M?: 3,2M2020: 3,4M?: 4M?: 3,8M?: 3,9M?: 4,3M?: 5,1M?: 3M5,1M197019801990200020102020quatro décadas, 18,9 milhõesesta década pela metade, 27,4 milhões

O Brasil abriu 456.724 empresas em junho. São 634 por hora, 15.224 por dia, uma a cada 5,7 segundos. E não foi um mês fora da curva. Refazendo a conta nos doze meses até junho, o intervalo fica praticamente igual, uma empresa nova a cada 5,8 segundos, o ano inteiro.

Desde que o cadastro começou, no início dos anos 1970, o país já emitiu 66.125.370 números de empresa.

Trinta anos de calmaria, e aí a curva vira

Durante quase toda essa história o ritmo foi modesto. Em 1980 o Brasil tinha distribuído 1,8 milhão de números. Em 2000, depois de três décadas inteiras, 11,8 milhões.

Aí a linha começa a subir e não para mais. O total passou de 18,9 milhões em 2010, chegou a 41,6 milhões em 2020 e estava em 65,7 milhões em junho deste ano.

O jeito mais claro de enxergar isso é pesar as duas metades uma contra a outra. O Brasil levou quarenta anos para emitir os primeiros dezenove milhões de números de empresa. Emitiu mais do que isso, vinte e sete milhões, só de 2020 para cá.

Boa parte da explicação está na porta de entrada. Segundo o Mapa de Empresas, do governo federal, abrir empresa no Brasil leva hoje 1 dia e 5 horas em média, e 69,9% delas ficam prontas em menos de um dia. Havia 25,2 milhões de empresas ativas no país no fim de junho.

A explosão tinha um teto, e ele foi alcançado na semana passada

O CNPJ tem oito dígitos antes da barra. Oito dígitos são cem milhões de combinações, e não existe o cento e um. Por meio século ninguém teve motivo para se preocupar com isso.

Com 66 milhões emitidos, o Brasil já gastou 66% de todos os números de empresa que podem existir. Sobram cerca de 34 milhões, e só em 2025 o país consumiu 5,06 milhões deles.

A Receita fez a mesma conta e agiu. Pela Instrução Normativa 2.229/2024, o CNPJ passou a aceitar letras além de dígitos, e o primeiro número alfanumérico foi emitido em 31 de julho. Os dois dígitos verificadores continuam numéricos. Todo o resto, não. Na prática, o teto deixou de existir.

Vale parar um segundo no que provocou a mudança. O formato do cadastro de empresas do país, intacto por meio século, foi reescrito porque o Brasil passou a abrir negócio mais rápido do que a numeração conseguia absorver.

Os 66 milhões, um por um

O CheckPJ carrega o cadastro inteiro. São as 66 milhões de empresas já registradas, as 3,3 milhões de filiais penduradas nelas e os 28 milhões de registros de sócio, sem amostra e sem recorte.

O cadastro também não fica parado. Empresa muda de endereço, de atividade, de capital, de sócio e de situação, e cada mudança sobrescreve o valor que estava lá antes. O CheckPJ guardou 29 versões do cadastro desde junho de 2020, uma por trimestre até o fim do ano passado e uma por mês desde janeiro, e comparou cada uma com a anterior para anotar o que tinha mudado. São 89,5 milhões de mudanças em 18 milhões de empresas.

O cadastro responde uma pergunta só, que é o que a empresa é hoje. Não diz se ela trocou de ramo duas vezes em três anos, se mudou de estado no ano passado, ou se perdeu o sócio cujo nome está no contrato que você assinou. Fotografia não tem memória. O histórico só existe se alguém anotou enquanto estava acontecendo.

Correção

Esta matéria saiu em 07/08/2026 com 69.062.849 números emitidos e 69% do teto. Os números incluíam CNPJ de candidato eleitoral, que a Receita abre em lote a cada eleição e que não são empresa. São 2,94 milhões deles. Todas as contas foram refeitas sem essa natureza jurídica em 15/08/2026, e o gráfico perdeu os picos de ano de eleição municipal, que chegavam a 557 mil números num ano só. O sentido da matéria não muda.

Referências

  1. Ministério do Empreendedorismo (2026). Mapa de Empresas. fonte. 25,2 milhões de empresas ativas, 456 mil abertas em junho de 2026, tempo médio de abertura de 1 dia e 5 horas e 69,9% abertas em menos de um dia.
  2. Receita Federal (2024). Instrução Normativa RFB nº 2.229. fonte. Muda o formato do CNPJ para alfanumérico. Os oito primeiros dígitos e os quatro seguintes passam a aceitar letras; os dois dígitos verificadores continuam numéricos.
  3. Receita Federal (2026). Receita Federal gera o primeiro CNPJ em formato alfanumérico. fonte. Primeiro CNPJ alfanumérico emitido em 31 de julho de 2026.